9.17.2006
remar contra... mim?
Ainda ontem dizia a mim mesma que tinha que trabalhar afincadamente para que as coisas melhorassem... Estava no início, tinha que provar o meu valor... Ainda ontem dizia a mim mesma que isto era uma só uma fase... Se me esforçasse, rapidamente teria a recompensa pelo meu esforço e um dia-a-dia laboral menos agitado... Ainda ontem dizia a mim mesma que era só mais este mês a trabalhar 12 horas diárias... Ainda ontem dizia a mim mesma que era só mais este sábado. Ainda ontem dizia a mim mesma que só falhava mais um jantar, um café, uma saída... Ainda ontem dizia a mim mesma que as coisas iam mudar... Ainda ontem... foi há dois anos. E até hoje não sei se valeu a pena. Remei contra a maré, contra o tempo, contra todos, inclusivé contra mim. E só hoje percebi o mal que me fiz. Porque a quem beneficiou do meu esforço, fiz bem. 9.14.2006
monopoly
O que é que se faz quando se dá a volta ao tabuleiro passando pela casa de partida sem receber 2 contos e, olhando para trás, não temos uma única casa, uma estação, um terreno arrendado? Só a consciência de que estamos exactamente no mesmo sítio de onde partimos, nas mesmas condições de quando partimos, sabendo apenas que devíamos ter investido? Sabemos que temos de percorrer o tabuleiro novamente, lembrar os erros da 1.ª volta e tentar não repetir, sem saber sequer se isso muda o resultado da 2.ª volta. Cansativo, este jogo...
6.01.2006
feliz por ti

Estou feliz por uma amiga. Mesmo feliz. Estou feliz por estar feliz por ela. Estou feliz porque a óptima notícia que recebi hoje me faz acreditar que algumas coisas acontecem mesmo na altura certa. Estou felicíssima por ter sido uma das escolhidas. Estou feliz porque ela merece. Porque nem tudo é mau. Porque é a ascenção de uma pessoa de quem gosto. Porque vai correr tudo tão bem!!! Parabéns, dona repugnante!!!
5.28.2006
5.20.2006
cavalheirismo
É certo que o cacilheiro não será o local mais propício ao cavalheirismo. Mas também é certo que o cavalheirismo não devia ter lugar nem hora. Há dias fui “violentamente” ultrapassada por um sr. à saída do cacilheiro. Ocorreu-me de imediato que a cortesia está a definhar e em vias de extinsão. Tenho pena. Mas lido bem com a situação. O que me incomoda, é sim, a ligação deselegante que as pessoas parecem insistir em fazer entre a falta de cavalheirismo e a tal igualdade de direitos pela qual nós, mulheres, continuamos a lutar. Ou não. Seja. Parece-me que a igualdade de direitos visa, acima de tudo, oportunidades iguais. Que é obviamente um direito de qualquer ser. O cavalheirismo nunca será um direito inerente a nada nem a ninguém. É uma postura, uma opção, uma questão de atitude. É maioritariamente um aspecto bonito da vida que me parece imperativo preservar. Eu própria, optei por ser fiel ao cavalheirismo, já que não creio seja uma qualidade exclusivamente masculina. É ridículo ouvir os comentários dos srs. que, por uma questão de revolta interior com a vida pobre de espírito que levam, confundem igualdade de direitos com o direito à falta de educação. Dar passagem a um velho, um novo, uma mulher ou um homem, não pode ser visto como a perda de uma batalha. Devia, contrariamente, proporcionar-nos um efeito de leveza. O sentimento que advém da “fuçanguice” é inevitavelmente negativo. A nobreza de reconhecer que não vivemos sozinhos e que o nosso bem estar também depende da maneira como tratamos quem nos rodeia, mesmo que um estranho, deixa-me bem disposta, faz-me sorrir. O cavalheirismo não é um direito para ser disputado. É uma opção. Uma questão de educação, de bom gosto. Portanto, por favor não morras!5.03.2006
4.27.2006
almoçar sózinha
Hoje almocei sózinha. Ultimamente faço-o com alguma regularidade. Perdi a paciência para indagar diariamente os planos dos meus colegas para o almoço e ter que decidir qual deles me atrai mais, sendo que qualquer das hipóteses tem pouco ou nada de novo. O mal não é deles. É meu. Ou de ninguém. Então opto por almoçar sózinha, como fiz enquanto escrevia este post. Quando almoço sózinha faço-o sempre no mesmo restaurante. Não é o meu preferido mas é imediatamente ao lado do escritório e é o único onde não me incomoda almoçar sózinha. Este dito restaurante tem particularidades, no mínimo interessantes, que me fazem questionar a minha assídua presença. Tem como principal atracção uma televisão, pequena para o efeito, invariavelmente ligada na TVI. Sendo que a minha hora de almoço tem início ao meio dia e meia, invariavelmente o programa no ar é um daqueles que preenchem as manhãs de sei-lá-bem quantas pessoas (prefiro viver na ilusão de serem poucas), penso que apresentado pelo Goucha. Não percebendo eu o porquê da selecção minuciosa, percebo ainda menos o porquê de todos os que almoçam sózinhos fazerem questão de ficar estrategicamente sentados em frente à televisão. Eu inclusivé. Ok, eu sou pitosga e não costumo levar os óculos para o almoço, mas fico efectivamente de frente para a tv. É certo que estou a escrever e não a ver o fabulástico programa mas... à minha volta, as pessoas estão cideradas! A ouvir estórias desgraçadinhas, mães de estrelas cadentes a comentarem a vida de outras pseudo-estrelas, não percebo. Mas prometo ficar atenta. Depois há o empregado de mesa. Eternamente descontente com a posição que ocupa. Cumprimento-o à minha chegada e pergunto, como sempre, “como estás?”. Sendo que a minha pergunta merece obviamente a verdade como resposta, é exactamente isso que ele faz. E responde-me sempre a verdade. Normalmente sob a forma de um redondo “estou mal”. Mas este rapaz nunca está bem? E quem lhe disse que me interesso? Que me interessa que tenha feito uma tatuagem numa omoplata e tenciona fazer outra, exactamente igual, na omoplata oposta? Tentei dizer-lhe que um diabinho sentado numa lua me parecia pouco feliz. Mas dois? Haja falta de gosto. A questão é que, além de pitosga, tenho a mania que sou boazinha e tento sempre que ele pense que estou interessada na conversa. Depois temos um dos sócios que me pergunta sempre porque é que não bebo uma imperial. Irra! Mas é suposto, por ventura? Desde que trocou os restos dentários pela placa, passa a vida a sorrir. Toda a gente sabe que é placa. A descrição não seria a melhor política? Deliciam-me os cafés com cheirinho, os “xiripitis” e as sandes de panado com um panaché. Porquê panaché? Não é cerveja. Não é gasosa. É uma mistura deslambida que não capto. Não vou obviamente comentar a “sande” de panado. Todo o background do balcão do restaurante é cuidadosamente forrado com uma disposição de garrafas, copos e pastilhas elásticas. Falta uma mão feminina, claro. Os 3 donos têm o perfil ideal do homem à antiga, bruto, o mais práctico possível, sem qualquer preocupação com qualquer tipo de decor. E não é que continuo a ir lá?na boca do sr. crocodilo
Primeiro não reagi mal à notícia. Depois quis ficar sózinha. Depois caí em mim. Estava a fervilhar... Tentei conter-me. Durante, seguramente, uns 30 segundos. Depois decidi que podia rebentar. E não é que...? Tinha uma pergunta a fazer. Simples. Mas sabia que estava a meter a cabeça na boca do sr. crocodilo. Ainda assim perguntei. A resposta foi evasiva, mas suficientemente clara para me fazer ir dar uma volta de carro durante umas horas, a meio da noite. Repensei todo um passado, um presente tranquilo e um futuro que eu julgava seguro, ainda que não tendo esse direito. E como que por magia, em pouco mais de uma semana, vivi um bocadinho de tudo o que tinha vivido durante anos da minha vida. Medo, insegurança, amor, esperança, desespero, paixão, calor, vontade, respeito, carinho, acreditei, considerei, quis, dei de mim, fiz, aconteci. Recebi o que tinha a receber. O que tive vontade de receber. E aprendi. Que vale a pena pôr a cabeça na boca do sr. crocodilo. Porque o que não nos mata fortalece-nos. Porque o que hoje nos magoa, amanhã ajuda-nos a seguir em frente. E pouco mais de uma semana depois, sou seguramente uma pessoa mais forte. E não só porque entretanto comi tudo o que me apeteceu. :D confiança
Falou-se de confiança ao som de um vinho tinto qualquer. E falta. A confiança. A capacidade de acreditar que podemos viver uma “relação” sem sermos assaltados pelo receio do que se passa atrás dos nossos olhos. Sou fruto de uma geração que mantinha casamentos a todo o custo. Sou a geração de transição. Não sei bem do quê e, muito menos, para o quê. Sou a geração do descontentamento. Da busca constante de um algo melhor que nem nós sabemos se existe. Mas procuramos. Prescindimos do respeito, da tão prometida fidelidade, da sanidade mental. E buscamos a desordem. Qualquer coisa que nos faça acreditar que há mais. Mas mais do que quê? Mais. Simplesmente mais. E esquecemo-nos que esse mais se converte em menos com a mesma facilidade que se converteu em situações anteriores. E fazer o quê? Viver a insatisfação do presente ou procurar o mais de um futuro que muito provavelmente pode ser a insatisfação de um presente ainda por vir? Tenho uma visão eventualmente retrógrada, ou não, sobre quanto devemos investir numa relação. É quase simples. É não abandonar o barco à primeira onda que nos salpica. É nadar com todas as forças para não afundar. São duas pessoas a remar no mesmo sentido. É o valorizar o que temos sem valorizar constantemente o que nos falta. Nada nos garante que resulte. Nada nos garante que não. Mas faz sentido. Enquanto acreditarmos.4.21.2006
ai ai ai
4.19.2006
4.17.2006
a minha páscoa
É bom esquecer o velho conceito de Páscoa e almoçar. Simplesmente almoçar. Perdoem-me os meus pais, os padres do colégio onde estudei tantos anos para ser uma menina bem comportada e católica, obviamente, mas sou ateia. E a pressão de ter que fazer do dia de Páscoa uma ocasião especial faz pouco ou nenhum sentido. E porque a minha mãe tinha já uma voz de coração partido por não estar comigo neste dia, obriguei-me a almoçar com o mano para lhe fazer a vontade e não passar o dia de Páscoa sózinha. O mano fez o mesmo. E resultou. Foi um almoço. Só um almoço. Mas soube por mil. Gosto dos meus. Dos meus eus. É bom saber que ele está lá. É bom saber que os que não estão presentes, só não estão porque não podem. E é bom saber que alguém não esteve presente apenas porque não se preocupou em estar. É muito bom saber que está presente quem realmente quer estar. Gosto de ti, mano. Obrigada pela sublime companhia.tenho todo o direito

Tenho raiva, estou irritada, capaz de bater, estou cansada. Cansada de acreditar nos valores que me incutiram, no amor. Cansada de ter pensamento positivo, boas energias e chegar a lado nenhum. Cansada de ouvir os debitar disparates dos outros que falam como se dissessem alguma coisa importante. No dia a seguir esquecem o que querem ser e são apenas o que são. Cansada de acreditar nos disparates que me debitam. Já devia saber que valem apenas por um momento. Cansada de achar que posso contar com algumas coisas, com algumas pessoas. Cansada de acreditar que o amor não acaba só porque sim. Cansada de acreditar que pelo menos aquela pessoa é fiel a um sentimento. Apetece-me gritar. Apetece-me que alguém me abrace e me mostre que tenho coisas melhores em que me concentrar. Eu sei que tenho, mas não me lembro delas agora. Apetece-me só ser abraçada. Não me quero lembrar. Tenho o direito de estar irritada, tenho o direito de achar que a vida não é fantástica e que às vezes è perfeitamente cruel. Tenho o direito de ter vontade de mandar tudo ao ar. E tenho.
4.09.2006
conto de fadas?
Sempre fui a menina dos contos de fadas. Não, não gosto de vestidos cor-de-rosa com folhos. Gosto de acreditar que as pessoas não são todas iguais e que a infelicidade dos outros não tem que um dia vir a ser a nossa. E sempre acreditei que “o amor acontece”. Mesmo quando não falamos a mesma língua. Cresci com as mesmas ilusões e desilusões que todos os outros. Mas sempre subsistiu esta mania de acreditar que há excepções. Que as pessoas que se gostam podem respeitar-se. Porque amanhã as coisas mudam, mas é o respeito que nos mantém sãos. E a vida encarrega-se de nos dar referências. E as minhas crenças fortalecem com a sobrevivência das minhas referências. Traduzindo, há sempre alguém que nos permite acreditar que duas pessoas podem ser equilibradamente felizes, juntas. Estas referências fazem-me seguir em frente. Fazem com que não me acomode a uma situação que não me preenche. Que busque não menos do que mereço. E aos trinta anos não me preocupa ser solteira. Preocupar-me-ia viver uma situação na qual não acredito. Mas como tudo, somos falíveis. E um dia as nossas referências transparecem imperfeição. Um dia, o casal perfeito desaba. E nesse dia eu olho à minha volta mais do que nunca. Nesse dia eu tenho medo. E lembro-me que nada é perfeito. Que um dia vou sofrer outra vez porque somos, inevitavelmente, extremamente egoístas. E penso... porquê?4.07.2006
irritam-me

Irritam-me as pessoas que se queixam de trabalhar arduamente quando passam a manhã a beber café e nos brindam com um assunto urgente que tem que ser feito na hora como se tivessem esse direito. Irritam-me as pessoas que se queixam de trabalhar arduamente e passam metade do dia a discutir as medidas drásticas que implantariam na empresa se fosse delas. Irrita-me que arranquem os cabelos de tanto trabalho e saiam à hora em ponto, ao segundo. Irrita-me que critiquem a administração e se esqueçam que despediriam metade dos colegas se a empresa fosse deles. Irrita-me que pessoas sem habilitações achem que têm as soluções empresariais ideais para tudo. Irrita-me que pessoas que trabalham metade do que eu trabalho me macem com o seu cansaço. Irrita-me que a antiguidade seja um posto numa empresa onde o que conta é o esforço individual. Irrita-me que elogiem o meu trabalho constantemente e não me paguem para isso. Irrita-me que a mobília da casa veja os novos como uma ameaça. Irrita-me que não façam absolutamente nada para provar que garra, tem quem quer. Irrita-me a inércia. Que se acomodem à inércia. Irritam-me os incompetentes. Irritam-me os burros a quem temos que explicar o B-A-BA vezes sem conta.
longa metragem

Pensei vezes sem conta. Dei voltas e voltas. Interpretei, julguei, tirei conclusões, agi em conformidade, fiz uma longa metragem. Sem nunca me lembrar de perguntar. Ironicamente, a falta de coragem fez surgir a conversa. E o pouco que falamos fez-me perceber que podia ter perguntado, que devia ter perguntado, que a resposta era de longe melhor que a minha longa metragem. Não por ser a resposta ideal, mas por ser a resposta possível, a verdade. Que por um feliz acaso, foi a resposta ideal. Gosto de falar com quem fala pouco sobre sentimentos. Gosto que quem fala pouco o faça comigo. Hoje ri o dia inteiro. E percebi que gosto do que provoco nos outros. E percebi que posso perguntar. A resposta será sempre boa, se for sincera. Será sempre boa, se não for sincera. Porque aí posso escolher os meus eus. E mais vezes do que pensamos, a resposta é maravilhosa. Mesmo que não altere grandemente o nosso dia-a-dia. Impede-nos de protagonizar longas metragens.
4.01.2006
mulher sofre
Andava mortinha... Horas e horas da minha vida passadas em gabinetes de estética embrulhada em cera foram suficientes para me decidir. Fui fazer a minha primeira sessão de depilação definitiva. Talvez não seja o post ideal para estampar num blog, mas estou radiante com a idéia de me livrar deles. Sim, os pêlos. Castigo inerente à condição de mulher. Tomei coragem (juntei uns trocos valentes) é lá fui. Meninas... não é fácil! Eles publicitam a palavra indolor com o maior descaramento mas não nos dizem que o indolor é para quem NÃO está a fazer depilação definitiva. Suporta-se, é verdade, mas também é verdade que se torna difícil fugir dali com a roupa na mão. A rapariga que me trocidou dava-me exactamente as respostas que eu queria ouvir. Dói? Não. Falta muito? Não. Claro está que depois constatamos que não é bem assim, mas a mentirinha piedosa dá algum alento. Claro que a minha figura não era pomposa como a da senhora de lingerie cor-de-rosa. Claro que a rapariga que me deu infinitas descargas na pele o fez com a maior descontração do mundo e ainda "sorria" de cada vez que eu me contorcia. Mas no fim, deixei o salão com um sorriso na cara. Afinal, eles não são mais fortes que eu! 3.31.2006
3.30.2006
mimo
Gosto de mimo. De ser mimada. Hoje mimaram-me. Não pelas melhores razões, confesso. Este post tem um "quê" de egoísmo. Um "quê" não. É um egoísmo só. Mas foi um mimo que me soube bem. Um momento triste na vida de alguém que adoro, deixou-lhe na voz um tom enternecedor. E foi o bastante para me fazer repensar a definição de mimo. Um sorriso é muitas vezes banal. Mas se for um sorriso de alguém que por hábito não sorri, pode ser um mimo, não pode? Então hoje fui mimada. Pelo tom enternecedor. Pelo tom enternecedor dirigido a mim. O meu mimo.3.29.2006
Os outros...

Dou comigo (o que já não é mau) a pensar no quanto os outros são importantes em nós. Tão mais do que lhes conferimos importância. As atitudes desses outros, ou falta delas... O quanto um carinho, ou falta dele; uma atitude espontânea, ou falta dela nos coíbem de nos conduzirmos por onde idealizamos. O que deixei de viver porque alguém não retribuiu um telefonema, não respondeu a uma mensagem, não disse o que sentia, não disse o que queria de mim, não me deu um carinho. O que vivi porque alguém ligou na altura certa, respondeu a uma mensagem só porque sim, partilhou, exigiu, deu de si. A leviandade com que descuramos os outros porque achamos que um acto quotidiano não interfere, não magoa, não faz falta. E depois pedimos desculpa. Está na moda. O pedir desculpa dá-nos a sensação de poder. Pedi desculpa, logo, sou humilde, assumo os meus actos e portanto, não me podem julgar. E passamos a vida a gerir mal expectativas. À espera. Normalmente à espera do que não vem. E o que nos é estampado na cara passa-nos ao lado. A solução fácil é dar importância a quem a tem. Também é fácil admitir que a práctica destas soluções de bolso transcende o instinto humano. Porque nos permite continuar a agir na base do "desculpa". Descobri que afinal, ainda posso escolher. A culpa não é da sociedade, é minha.
3.26.2006
Hoje...
3.22.2006
Pseudo Saudosismo

Tenho saudades das coisas boas das quais prescindi por causa das coisas más. Principalmente de me deitar abraçada a quem me permitia não ter que ser sempre tão forte. Ultimamente, não me permito fraquejar. Às vezes assusta-me esta aparente recuperação. Se abdicamos do que nos faz bem para evitar o que nos faz mal em prol de um hipotético bem estar, quanto tempo demora esse tal bem estar a presentear-me? Eventualmente quando deixar de ser hipotético. Ou talvez nunca. Porque pode ser mesmo verdade o que dizem sobre nunca estarmos efectivamente satisfeitos. É verdade que nem sempre me deitei com a segurança dos braços de que falo, enquanto os tive. É verdade que sou hoje mais serena que nunca. Mas não deixo de ter saudades. Das coisas boas. Há sempre questões teimosas. Até que ponto eu podia ter contribuído para um caminho diferente; as férias marcadas pela vontade de um e a impotência de outro; a frustração imensa que é a incapacidade de fazer alguém feliz. Onde é que começa e acaba o egoísmo? Egoísmo é desistir de um “NÓS” em prol do “EU”? Não é egoísmo desistir do “EU” em prol de um “NÓS”? Há um momento certo para desistir? Desistir não é o começo de uma luta nova? Por fins diferentes? Nunca desisti de mim. Isso ainda me faz feliz. Mas tenho saudades. Das coisas boas. Do que não é fugaz. Talvez precise dessas coisas, de maneira diferente. Se assim é, estou no caminho certo.No meu caminho. Não pode ser egoísmo sonhar. Com o melhor. Com o que julgamos melhor. Não interessa. Interessa só o que no fim, nos faz bem. Nos faz deixar de existir para viver. Em bom rigor, gosto de saber que optei pelo que senti ser melhor para mim. Ainda que nem sempre esteja segura disso. Quem é que está? Exercício mental. Canita.
3.20.2006
Esperança...

A propósito de uma conhecida que brinda os demais à sua volta com a notícia de uma tão querida gravidez, ecoam os habituais comentários, enfadonhos de tão previsíveis: “Aquele enjoo de há dois meses atrás denunciou-a logo.” “Eu sabia! Ela andava mais rosada e com um ar meio comprometido...” “Opá, ela a mim nunca me enganou. Antes de vocês sequer sonharem já eu desconfiava.” “Aquelas calças de tecido mole... Achei estranho.” “É menina, de certeza. Tem a barriga tão larga.” É de ter em conta que a futura mamã só está grávida de 3 meses e sempre teve o estômago dilatado. Adoro esta desculpa para o ter BARRIGA! Ainda dou de barato os comentários pelo facto de nunca ter sido mãe e de ser completamente desatenta aos, pelos vistos, tão óbvios sinais exteriores. Até que surge o derradeiro... “Eu já sabia. Um dia via-no metro e ela ia a coxear e agarrada à barriga. No início até pensei que tivesse feito um aborto!” Este, por si só, já é genial. É o exemplo perfeito de como se podia gerar um boato extremamente infeliz. Mas fiquei a saber que uma mulher coxa e agarrada à barriga é sintomático de aborto. Fantástico. Não obstante, ela remata: “Mas um aborto não podia ser. ELA ADORA CRIANÇAS!”... Mulheres, quem aborta não gosta de crianças! Fiquei sinceramente desiludida com a facilidade com que um ser humano profere tamanho egoísmo. Não me imagino capaz de tal coisa. Julgar alguém com este ânimo leve por uma decisão que será certamente difícil de tomar. A minha cara deve ter sofrido uma transformação tal de espanto que alguém ao meu lado encolheu os ombros e disse: “Não te dês ao trabalho de comentar que não vale a pena.” E não dei. Esperança... Que as pessoas aprendam a ver para além do próprio umbigo. Esperança...
3.17.2006
Incondicional no masculino
As pessoas entram e saem da nossa vida num àpice que, muitas vezes, não temos tempo de assimilar. Assumem uma importância derradeira num momento, imperceptível no minuto seguinte. Já deixei de me preocupar com isso. Absorvo o que tenho. E o que essa descontração me faz bem... Depois há os “incondicionais” papéis principais na nossa peça. O amor incondicional existe. Na minha vida, um desses papéis pertence a ti, papá. E muito agradeço a mim mesma e a ti pela falta de originalidade da minha escolha. É verdade que a distância nos pode unir ainda mais. É verdade que a ausência pode ser mais presente do que se imagina. No teu caso...Devo-te a vida; o gosto pelo Português; a simplicidade na forma de encarar a mesquinhez; o acreditar nas pessoas; a testa; o orgulho inerente a um dedo do pé comum a pai e filhos; o gosto pela leitura que de vez em quando descuro; a disponibilidade para quem a merece e para os outros; o não ter vergonha de chorar, de dizer “amo-te muito”; o contribuir incansavelmente para que as pessoas se aceitem como são; o saber arrepender-me dos erros, aprender com eles e seguir em frente; o amor de pai que, à tua maneira, faz de mim um ser um bocadinho melhor a cada dia. Obrigada.
Amo-te muito!
Incondicional no feminino
As pessoas entram e saem da nossa vida num àpice que, muitas vezes, não temos tempo de assimilar. Assumem uma importância derradeira num momento, imperceptível no minuto seguinte. Já deixei de me preocupar com isso. Absorvo o que tenho. E o que essa descontração me faz bem... Depois há os “incondicionais” papéis principais na nossa peça. O amor incondicional existe. Na minha vida, um desses papéis pertence a ti, mamã. E muito agradeço a mim mesma e a ti pela falta de originalidade da minha escolha. No teu caso...Devo-te a vida; a força; a coragem; a garra; a determinação; o nariz; a sinceridade, transparência do meu rosto; o acreditar em mim; o apoio desmedido nas alturas menos fáceis; o instinto maternal; o sexto sentido; a alegria de viver; o conceito “família”; o teres-me provado que não há sentimento mais nobre que o teu amor por mim; a nobreza de dar a outra face; o ser eternamente criança; o mimo; o não ter medo de viver; o amor de mãe que, à tua maneira, faz de mim um ser um bocadinho melhor a cada dia. Obrigada.
Amo-te muito!
3.16.2006
Parabéns a mim... 14.mar.2006

A pressão de fazer de 30 anos é quase divertida! No meu caso é mesmo. Porque é exterior. "Já não vais para nova e ainda não és mamã, querida!", diz alguém que conhece pouco da minha vida e quase nada de mim. "E quando é que casas?" ao qual respondo, como sempre, "Quando a proposta surgir e eu aceitar"!
Inesperadamente, como tudo o que é bom, foi um dia especial. Sem querer, correu como devia. O melhor presente em forma de criança a entrar pela porta da minha casa e a dizer "Parabéns Tia Teja!". As pessoas certas, com a serenidade que tanto desejei. Os mil comentários do "Olha que a partir dos 30 as mulheres...". Cá estou para ver. O livro do Sebastião Salgado que avivou tudo o que devia e o que não devia. Os Parabéns cantados dentro de àgua; delicioso. As ruguinhas mínimas que encaro como um encanto especial de quem já se sente no direito de opinar sobre a vida. A eterna gratidão de quem fez de mim o que sou. A pretensão de achar que as coisas só melhoram e que posso tudo. O luxo que é escolher quem faz parte de mim, sem ficar a dever às circunstâncias da vida. É altamente compensador fazer anos quando estamos bem conosco. Eu sei que aos 30 é fácil. Mas enquanto mudar o número e a atitude se mantiver... Parabéns a mim!
Complicity
Apeteceu-me escrever sobre ti. Porque sei que amanhã vais visitar o meu blog. Pela primeira vez. Porque já sei que "cumplicidade" em inglês se escreve "complicity". Porque o vício se apoderou de nós. Porque os outros o reconhecem. Porque me fazes sentir bem comigo mesma. Porque todos vão pensar que tenho um affair e essa idéia me agrada. Porque o mediano não imagina elogiar quem simplesmente nos faz sentir bem. Gosto de ti. Do que trazes de novo à minha vida. Gosto da surpresa que é encontrar alguém especial quando se espera que isso não aconteça. Gosto de perceber que outros não lidam bem com isso porque sabem o que estão a perder. Gosto do carinho na tua voz quando falas comigo ao telefone. Gosto do teu ar sério e do desafio que é arrancar-te um sorriso nessas alturas. Tens o ar sério mais doce do mundo. Gosto de saber que gostas de mim. Gosto de saber que sabes que gosto de ti. É bom saber que a vida nos reserva surpresas destas. É bom dizer o que me apetece quando me apetece. É bom ouvir os teus sermões, que me ajudam a perceber que sou uma criança mimada e que adoro sê-lo. Tens o dom de "iluminar", de me lembrar que tenho que "recusar". És a prova viva de que vale a pena lutar, vencer medos. És uma "great idea" na minha vida. 3.15.2006
Imitação ou imitação?
Anita, perdoa-me as imagens! Eu sou definitivamente só mais uma menina de vestido azul no meio de tantas... E, muito esporadicamente, atrevo-me a vestir cor-de-rosa, porque adorei vê-lo em alguém para quem olho com alguma admiração...Forçosamente já todos "imitámos" alguém. Forçosamente a conotação atribuída à palavra "imitar" é negativa. Talvez porque imitar seja aproveitar o melhor dos outros para usarmos como nosso. Pois bem, eu imito. Não para fazer meu o melhor dos outros. Talvez porque gosto quando consigo aproveitar o que os outros me oferecem de positivo e fazer disso parte de mim. Às vezes faço-o apenas porque penso "como é que não me lembrei disto antes"? Porque é uma idéia que me agrada, porque é uma côr que me fica bem, porque gosto, PORQUE ME APETECE! Com toda a certeza, alguém já o fez antes de mim. E mesmo que não...
3.09.2006
Amiguinhas...
Ser amiga é uma condição que devia ter direitos de admissão! Teimamos em banalizar o conceito. As mulheres tornam-se amigas sem qualquer requisito à excepção do "enquanto as coisas correrem bem". "Estou sempre cá para ti enquanto agires como eu gosto", podia perfeitamente ser instituído como máxima feminina. Inevitavelmente, as ditas "amizades" femininas caem por terra quando deixamos de ter o comportamento desejável. Inesperado seria aceitarmo-nos como somos: deliciosamente cabras, humanas, falíveis, charmosas, sensíveis ao que nos convém e ao que é mais forte que nós, egoístas onde, até onde e quando queremos, sedutoras, bem sucedidas desde o dia em que demos ao mundo o prazer de nascer. Tudo isto é perfeitamente aceitável individualmente. Quando uma "amiga" se torna segura de si, qualquer qualidade se transforma rapidamente num pretensioso defeito e num alvo invejável. E parem por favor com o discurso exaustivo de que temos que ser TODAS unidas. TODAS? Desculpem, não tenho tempo... A frontalidade é uma qualidade fantástica que as mulheres deviam impor a si mesmas. Obviamente, a maioria das mulheres consideram-se seres frontais. Adoramos as que se gabam de dizer tudo o que lhes passa pela cabeça. Estaria destruída, se o fizesse. Gosto de ter segredos. De guardar o mais precioso de mim para mim e alguns eleitos... poucos. Louvável seria encararmos a frontalidade como um privilégio que nos cabe dosear. Louvável seria que as costas das nossas amigas não fossem o nosso prato predileto. Que fossemos frontais porque gostamos de nós e delas e não de as achincalhar com a nossa pretensão a donas da verdade, sempre com o intuito de apenas as chamarmos à razão. Louvável seria gostarmos umas das outras a ponto de dizermos "odiei-te pela atitude que tiveste" com um carinho enternecedor de quem pede "não me voltes a fazer o mesmo, por favor, porque te adoro e quero-te na minha vida". E quando somos amigas, somos as costas preferidas das que não souberam ser amigas porque se encheram de orgulho e prescindiram de nós. Prescindiram delas. São frontais... nas minhas costas. Contra isso, continuo a adora-las como no dia em que decidi ser amiga. Tenho o melhor de quem me valoriza, tenho o melhor de quem valorizo, tenho o melhor de mim e das minhas amigas. Poucas, deliciosamente cabras, maravilhosas! Minhas. Amigas.
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