A facilidade com que o meu humor passa de um extremo, não ao outro mas quase, é profundamente assustadora. Ou assustadora, só. Para mim, pelo menos. Ai... Explico. No seguimento de uma noite de comentários menos simpáticos sobre um meu passado que me magoa, acordo na manhã seguinte (a habitual falta de vontade de saltar da cama) invadida por sensações novas. Não novas isoladamente. Um misto fascinante, igualmente distribuído por uma angústia profunda, certezas absolutas e uma clarividência com a qual me custa lidar. Passei um dia miserável. Mas diferente dos outros dias miseráveis. Não chorei. Não consegui. Mas caiu-me uma lágrima. Uma. Sumida. Mas nessa lágrima senti frustração, perda de tempo, desperdício. Mesmo que sem arrependimentos. Mas transpirei certezas. Bendita clarividência. Vontade de evoluir. De caminhos diferentes. Que me façam bem. E esta tristeza nova assume um carácter altamente benfeitor. Não deixei imediatamente de estar triste. Não me transformei numa mulher nova. Mas tenho certezas como nunca. Que me dão alento. E uma imensa paz de espírito. Porque o balançar entre a razão e o coração me destrói. E num àpice, esta angústia é uma espécie de Betadine-Super-Hiper-Mega-Rápido-Não-Acredito-Que-Estou-A-Escrever-Isto. E sinto-me em processo de cura. Fantástico. Mas tive um dia miserável. Desmarquei tudo e preparava-me para rumar a casa à velocidade da luz. Mas, por qualquer motivo que não interessa identificar, liguei a uma pessoa. "Não quero ir para casa. Apetece-me chorar e não consigo. Onde estás? Porque é que não estás a 5 minutos de mim? Praia? Claro. Vou já, a correr." E fui. O mar sim, transforma-me. Vimos todas as ondas. Respirei como se fosse a primeira vez. O frio na cara faz milagres. Dá uma energia imensa. E falei do que não tinha querido falar o dia todo. E quem estava comigo sentiu as minhas certezas, percebeu-me e ficou feliz por mim. "Estás no melhor dos caminhos, Té." Fomos jantar. Sushi. Gosto mesmo, mesmo, de Sushi. Conversas descontraídas. Sem melodramas. Que bom. Vinho tinto, cigarros, pauzinhos, mesas baixas, bancos confortáveis. E entretanto éramos três pessoas. E falámos. Coisas nossas. O que nos apeteceu. E funcionou. Café, mais vinho tinto (não se diz "mais vinho tinto", só "vinho tinto"), cigarros, geládo de chá verde. E acabo o meu dia já no dia seguinte, bem comigo. Bem com a minha vida. Com os meus eus. E de mim para mim, que orgulho.3.05.2007
Sempre ao sabor de Sushi...
A facilidade com que o meu humor passa de um extremo, não ao outro mas quase, é profundamente assustadora. Ou assustadora, só. Para mim, pelo menos. Ai... Explico. No seguimento de uma noite de comentários menos simpáticos sobre um meu passado que me magoa, acordo na manhã seguinte (a habitual falta de vontade de saltar da cama) invadida por sensações novas. Não novas isoladamente. Um misto fascinante, igualmente distribuído por uma angústia profunda, certezas absolutas e uma clarividência com a qual me custa lidar. Passei um dia miserável. Mas diferente dos outros dias miseráveis. Não chorei. Não consegui. Mas caiu-me uma lágrima. Uma. Sumida. Mas nessa lágrima senti frustração, perda de tempo, desperdício. Mesmo que sem arrependimentos. Mas transpirei certezas. Bendita clarividência. Vontade de evoluir. De caminhos diferentes. Que me façam bem. E esta tristeza nova assume um carácter altamente benfeitor. Não deixei imediatamente de estar triste. Não me transformei numa mulher nova. Mas tenho certezas como nunca. Que me dão alento. E uma imensa paz de espírito. Porque o balançar entre a razão e o coração me destrói. E num àpice, esta angústia é uma espécie de Betadine-Super-Hiper-Mega-Rápido-Não-Acredito-Que-Estou-A-Escrever-Isto. E sinto-me em processo de cura. Fantástico. Mas tive um dia miserável. Desmarquei tudo e preparava-me para rumar a casa à velocidade da luz. Mas, por qualquer motivo que não interessa identificar, liguei a uma pessoa. "Não quero ir para casa. Apetece-me chorar e não consigo. Onde estás? Porque é que não estás a 5 minutos de mim? Praia? Claro. Vou já, a correr." E fui. O mar sim, transforma-me. Vimos todas as ondas. Respirei como se fosse a primeira vez. O frio na cara faz milagres. Dá uma energia imensa. E falei do que não tinha querido falar o dia todo. E quem estava comigo sentiu as minhas certezas, percebeu-me e ficou feliz por mim. "Estás no melhor dos caminhos, Té." Fomos jantar. Sushi. Gosto mesmo, mesmo, de Sushi. Conversas descontraídas. Sem melodramas. Que bom. Vinho tinto, cigarros, pauzinhos, mesas baixas, bancos confortáveis. E entretanto éramos três pessoas. E falámos. Coisas nossas. O que nos apeteceu. E funcionou. Café, mais vinho tinto (não se diz "mais vinho tinto", só "vinho tinto"), cigarros, geládo de chá verde. E acabo o meu dia já no dia seguinte, bem comigo. Bem com a minha vida. Com os meus eus. E de mim para mim, que orgulho.
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