Dou-me bem com o inesperado. Com as coisas que acontecem quando não as procuro. Onde e quando menos se espera, os sorrisos encontram-nos. Eu encontrei um novo sorriso. Um novo nervoso miudinho. Um nó no estômago bom de sentir. Não sei se é um potencial império. Tento não querer saber. Melhor do que me fazer sentir mulher, o meu sorriso novo faz-me sentir criança. Enquanto mulher que acha que sabe da vida, ofereço alguma resistência. Enquanto criança contra a qual já não consigo mais lutar, sinto-me flutuar. Com algum receio, mas cheia de flores na barriga, não tenho como não confessar... Estou apaixonada! O meu novo sorriso não é um dado adquirido. É um momento de cada vez. É uma vontade constante de conquistar mais um bocadinho a cada dia. É o medo de amanhã já não sorrir. De me sentir enganada. Mas também é o gosto pelo que não conheço. Tinha saudades de me identificar com, de descobrir gostos comuns, de corar! De fazer tonteria de chinelos às flores e morrer de vergonha! Descobri que os valores se alteram e que o incontornável perde importância. Descobri que um sorriso novo pode não aparecer sozinho mas não faz mal. As marcas de um outro império caído podem ser eternas. E não faz mal. Descobri que continuo ansiosa e que quero tudo. Tudo o que acho que mereço. Nunca menos. Descobri-ME! Descobri que o meu novo sorriso, mesmo não sendo um império, vale tanto a pena. E se desabar, valeu tanto a pena. Descobri que a chuva tem muito mais graça que a que lhe conferia. Que as horas não importam. Que passada uma eternidade de porquês, os porquês, simplesmente deixaram de ser. Descobri que é tão bom ser!
28.Set.2007