3.31.2006

Hoje sinto-me bem... E sinto-me bem por me sentir bem... E gosto de me sentir bem... Faz-me bem... sentir-me bem.

3.30.2006

mimo

Gosto de mimo. De ser mimada. Hoje mimaram-me. Não pelas melhores razões, confesso. Este post tem um "quê" de egoísmo. Um "quê" não. É um egoísmo só. Mas foi um mimo que me soube bem. Um momento triste na vida de alguém que adoro, deixou-lhe na voz um tom enternecedor. E foi o bastante para me fazer repensar a definição de mimo. Um sorriso é muitas vezes banal. Mas se for um sorriso de alguém que por hábito não sorri, pode ser um mimo, não pode? Então hoje fui mimada. Pelo tom enternecedor. Pelo tom enternecedor dirigido a mim. O meu mimo.

3.29.2006

Os outros...



Dou comigo (o que já não é mau) a pensar no quanto os outros são importantes em nós. Tão mais do que lhes conferimos importância. As atitudes desses outros, ou falta delas... O quanto um carinho, ou falta dele; uma atitude espontânea, ou falta dela nos coíbem de nos conduzirmos por onde idealizamos. O que deixei de viver porque alguém não retribuiu um telefonema, não respondeu a uma mensagem, não disse o que sentia, não disse o que queria de mim, não me deu um carinho. O que vivi porque alguém ligou na altura certa, respondeu a uma mensagem só porque sim, partilhou, exigiu, deu de si. A leviandade com que descuramos os outros porque achamos que um acto quotidiano não interfere, não magoa, não faz falta. E depois pedimos desculpa. Está na moda. O pedir desculpa dá-nos a sensação de poder. Pedi desculpa, logo, sou humilde, assumo os meus actos e portanto, não me podem julgar. E passamos a vida a gerir mal expectativas. À espera. Normalmente à espera do que não vem. E o que nos é estampado na cara passa-nos ao lado. A solução fácil é dar importância a quem a tem. Também é fácil admitir que a práctica destas soluções de bolso transcende o instinto humano. Porque nos permite continuar a agir na base do "desculpa". Descobri que afinal, ainda posso escolher. A culpa não é da sociedade, é minha.

3.26.2006

Hoje...


Hoje chorei. Porque achei que merecia. Porque achei que podia parar de travar. Porque não estou segura das opções que tomei. Porque não sei o que me espera. Porque gosto de chorar se tenho vontade. E fez-me bem...

3.22.2006

Pseudo Saudosismo


Tenho saudades das coisas boas das quais prescindi por causa das coisas más. Principalmente de me deitar abraçada a quem me permitia não ter que ser sempre tão forte. Ultimamente, não me permito fraquejar. Às vezes assusta-me esta aparente recuperação. Se abdicamos do que nos faz bem para evitar o que nos faz mal em prol de um hipotético bem estar, quanto tempo demora esse tal bem estar a presentear-me? Eventualmente quando deixar de ser hipotético. Ou talvez nunca. Porque pode ser mesmo verdade o que dizem sobre nunca estarmos efectivamente satisfeitos. É verdade que nem sempre me deitei com a segurança dos braços de que falo, enquanto os tive. É verdade que sou hoje mais serena que nunca. Mas não deixo de ter saudades. Das coisas boas. Há sempre questões teimosas. Até que ponto eu podia ter contribuído para um caminho diferente; as férias marcadas pela vontade de um e a impotência de outro; a frustração imensa que é a incapacidade de fazer alguém feliz. Onde é que começa e acaba o egoísmo? Egoísmo é desistir de um “NÓS” em prol do “EU”? Não é egoísmo desistir do “EU” em prol de um “NÓS”? Há um momento certo para desistir? Desistir não é o começo de uma luta nova? Por fins diferentes? Nunca desisti de mim. Isso ainda me faz feliz. Mas tenho saudades. Das coisas boas. Do que não é fugaz. Talvez precise dessas coisas, de maneira diferente. Se assim é, estou no caminho certo.No meu caminho. Não pode ser egoísmo sonhar. Com o melhor. Com o que julgamos melhor. Não interessa. Interessa só o que no fim, nos faz bem. Nos faz deixar de existir para viver. Em bom rigor, gosto de saber que optei pelo que senti ser melhor para mim. Ainda que nem sempre esteja segura disso. Quem é que está? Exercício mental. Canita.

3.20.2006

Esperança...


A propósito de uma conhecida que brinda os demais à sua volta com a notícia de uma tão querida gravidez, ecoam os habituais comentários, enfadonhos de tão previsíveis: “Aquele enjoo de há dois meses atrás denunciou-a logo.” “Eu sabia! Ela andava mais rosada e com um ar meio comprometido...” “Opá, ela a mim nunca me enganou. Antes de vocês sequer sonharem já eu desconfiava.” “Aquelas calças de tecido mole... Achei estranho.” “É menina, de certeza. Tem a barriga tão larga.” É de ter em conta que a futura mamã só está grávida de 3 meses e sempre teve o estômago dilatado. Adoro esta desculpa para o ter BARRIGA! Ainda dou de barato os comentários pelo facto de nunca ter sido mãe e de ser completamente desatenta aos, pelos vistos, tão óbvios sinais exteriores. Até que surge o derradeiro... “Eu já sabia. Um dia via-no metro e ela ia a coxear e agarrada à barriga. No início até pensei que tivesse feito um aborto!” Este, por si só, já é genial. É o exemplo perfeito de como se podia gerar um boato extremamente infeliz. Mas fiquei a saber que uma mulher coxa e agarrada à barriga é sintomático de aborto. Fantástico. Não obstante, ela remata: “Mas um aborto não podia ser. ELA ADORA CRIANÇAS!”... Mulheres, quem aborta não gosta de crianças! Fiquei sinceramente desiludida com a facilidade com que um ser humano profere tamanho egoísmo. Não me imagino capaz de tal coisa. Julgar alguém com este ânimo leve por uma decisão que será certamente difícil de tomar. A minha cara deve ter sofrido uma transformação tal de espanto que alguém ao meu lado encolheu os ombros e disse: “Não te dês ao trabalho de comentar que não vale a pena.” E não dei. Esperança... Que as pessoas aprendam a ver para além do próprio umbigo. Esperança...

3.17.2006

Incondicional no masculino

As pessoas entram e saem da nossa vida num àpice que, muitas vezes, não temos tempo de assimilar. Assumem uma importância derradeira num momento, imperceptível no minuto seguinte. Já deixei de me preocupar com isso. Absorvo o que tenho. E o que essa descontração me faz bem... Depois há os “incondicionais” papéis principais na nossa peça. O amor incondicional existe. Na minha vida, um desses papéis pertence a ti, papá. E muito agradeço a mim mesma e a ti pela falta de originalidade da minha escolha. É verdade que a distância nos pode unir ainda mais. É verdade que a ausência pode ser mais presente do que se imagina. No teu caso...

Devo-te a vida; o gosto pelo Português; a simplicidade na forma de encarar a mesquinhez; o acreditar nas pessoas; a testa; o orgulho inerente a um dedo do pé comum a pai e filhos; o gosto pela leitura que de vez em quando descuro; a disponibilidade para quem a merece e para os outros; o não ter vergonha de chorar, de dizer “amo-te muito”; o contribuir incansavelmente para que as pessoas se aceitem como são; o saber arrepender-me dos erros, aprender com eles e seguir em frente; o amor de pai que, à tua maneira, faz de mim um ser um bocadinho melhor a cada dia. Obrigada.

Amo-te muito!

Incondicional no feminino

As pessoas entram e saem da nossa vida num àpice que, muitas vezes, não temos tempo de assimilar. Assumem uma importância derradeira num momento, imperceptível no minuto seguinte. Já deixei de me preocupar com isso. Absorvo o que tenho. E o que essa descontração me faz bem... Depois há os “incondicionais” papéis principais na nossa peça. O amor incondicional existe. Na minha vida, um desses papéis pertence a ti, mamã. E muito agradeço a mim mesma e a ti pela falta de originalidade da minha escolha. No teu caso...

Devo-te a vida; a força; a coragem; a garra; a determinação; o nariz; a sinceridade, transparência do meu rosto; o acreditar em mim; o apoio desmedido nas alturas menos fáceis; o instinto maternal; o sexto sentido; a alegria de viver; o conceito “família”; o teres-me provado que não há sentimento mais nobre que o teu amor por mim; a nobreza de dar a outra face; o ser eternamente criança; o mimo; o não ter medo de viver; o amor de mãe que, à tua maneira, faz de mim um ser um bocadinho melhor a cada dia. Obrigada.
Amo-te muito!

3.16.2006

Parabéns a mim... 14.mar.2006


A pressão de fazer de 30 anos é quase divertida! No meu caso é mesmo. Porque é exterior. "Já não vais para nova e ainda não és mamã, querida!", diz alguém que conhece pouco da minha vida e quase nada de mim. "E quando é que casas?" ao qual respondo, como sempre, "Quando a proposta surgir e eu aceitar"!
Inesperadamente, como tudo o que é bom, foi um dia especial. Sem querer, correu como devia. O melhor presente em forma de criança a entrar pela porta da minha casa e a dizer "Parabéns Tia Teja!". As pessoas certas, com a serenidade que tanto desejei. Os mil comentários do "Olha que a partir dos 30 as mulheres...". Cá estou para ver. O livro do Sebastião Salgado que avivou tudo o que devia e o que não devia. Os Parabéns cantados dentro de àgua; delicioso. As ruguinhas mínimas que encaro como um encanto especial de quem já se sente no direito de opinar sobre a vida. A eterna gratidão de quem fez de mim o que sou. A pretensão de achar que as coisas só melhoram e que posso tudo. O luxo que é escolher quem faz parte de mim, sem ficar a dever às circunstâncias da vida. É altamente compensador fazer anos quando estamos bem conosco. Eu sei que aos 30 é fácil. Mas enquanto mudar o número e a atitude se mantiver... Parabéns a mim!

Complicity

Apeteceu-me escrever sobre ti. Porque sei que amanhã vais visitar o meu blog. Pela primeira vez. Porque já sei que "cumplicidade" em inglês se escreve "complicity". Porque o vício se apoderou de nós. Porque os outros o reconhecem. Porque me fazes sentir bem comigo mesma. Porque todos vão pensar que tenho um affair e essa idéia me agrada. Porque o mediano não imagina elogiar quem simplesmente nos faz sentir bem. Gosto de ti. Do que trazes de novo à minha vida. Gosto da surpresa que é encontrar alguém especial quando se espera que isso não aconteça. Gosto de perceber que outros não lidam bem com isso porque sabem o que estão a perder. Gosto do carinho na tua voz quando falas comigo ao telefone. Gosto do teu ar sério e do desafio que é arrancar-te um sorriso nessas alturas. Tens o ar sério mais doce do mundo. Gosto de saber que gostas de mim. Gosto de saber que sabes que gosto de ti. É bom saber que a vida nos reserva surpresas destas. É bom dizer o que me apetece quando me apetece. É bom ouvir os teus sermões, que me ajudam a perceber que sou uma criança mimada e que adoro sê-lo. Tens o dom de "iluminar", de me lembrar que tenho que "recusar". És a prova viva de que vale a pena lutar, vencer medos. És uma "great idea" na minha vida.

3.15.2006

Imitação ou imitação?

Anita, perdoa-me as imagens! Eu sou definitivamente só mais uma menina de vestido azul no meio de tantas... E, muito esporadicamente, atrevo-me a vestir cor-de-rosa, porque adorei vê-lo em alguém para quem olho com alguma admiração...


Forçosamente já todos "imitámos" alguém. Forçosamente a conotação atribuída à palavra "imitar" é negativa. Talvez porque imitar seja aproveitar o melhor dos outros para usarmos como nosso. Pois bem, eu imito. Não para fazer meu o melhor dos outros. Talvez porque gosto quando consigo aproveitar o que os outros me oferecem de positivo e fazer disso parte de mim. Às vezes faço-o apenas porque penso "como é que não me lembrei disto antes"? Porque é uma idéia que me agrada, porque é uma côr que me fica bem, porque gosto, PORQUE ME APETECE! Com toda a certeza, alguém já o fez antes de mim. E mesmo que não...

3.09.2006

Amiguinhas...

Ser amiga é uma condição que devia ter direitos de admissão! Teimamos em banalizar o conceito. As mulheres tornam-se amigas sem qualquer requisito à excepção do "enquanto as coisas correrem bem". "Estou sempre cá para ti enquanto agires como eu gosto", podia perfeitamente ser instituído como máxima feminina. Inevitavelmente, as ditas "amizades" femininas caem por terra quando deixamos de ter o comportamento desejável. Inesperado seria aceitarmo-nos como somos: deliciosamente cabras, humanas, falíveis, charmosas, sensíveis ao que nos convém e ao que é mais forte que nós, egoístas onde, até onde e quando queremos, sedutoras, bem sucedidas desde o dia em que demos ao mundo o prazer de nascer. Tudo isto é perfeitamente aceitável individualmente. Quando uma "amiga" se torna segura de si, qualquer qualidade se transforma rapidamente num pretensioso defeito e num alvo invejável. E parem por favor com o discurso exaustivo de que temos que ser TODAS unidas. TODAS? Desculpem, não tenho tempo... A frontalidade é uma qualidade fantástica que as mulheres deviam impor a si mesmas. Obviamente, a maioria das mulheres consideram-se seres frontais. Adoramos as que se gabam de dizer tudo o que lhes passa pela cabeça. Estaria destruída, se o fizesse. Gosto de ter segredos. De guardar o mais precioso de mim para mim e alguns eleitos... poucos. Louvável seria encararmos a frontalidade como um privilégio que nos cabe dosear. Louvável seria que as costas das nossas amigas não fossem o nosso prato predileto. Que fossemos frontais porque gostamos de nós e delas e não de as achincalhar com a nossa pretensão a donas da verdade, sempre com o intuito de apenas as chamarmos à razão. Louvável seria gostarmos umas das outras a ponto de dizermos "odiei-te pela atitude que tiveste" com um carinho enternecedor de quem pede "não me voltes a fazer o mesmo, por favor, porque te adoro e quero-te na minha vida". E quando somos amigas, somos as costas preferidas das que não souberam ser amigas porque se encheram de orgulho e prescindiram de nós. Prescindiram delas. São frontais... nas minhas costas. Contra isso, continuo a adora-las como no dia em que decidi ser amiga. Tenho o melhor de quem me valoriza, tenho o melhor de quem valorizo, tenho o melhor de mim e das minhas amigas. Poucas, deliciosamente cabras, maravilhosas! Minhas. Amigas.