
Dou comigo (o que já não é mau) a pensar no quanto os outros são importantes em nós. Tão mais do que lhes conferimos importância. As atitudes desses outros, ou falta delas... O quanto um carinho, ou falta dele; uma atitude espontânea, ou falta dela nos coíbem de nos conduzirmos por onde idealizamos. O que deixei de viver porque alguém não retribuiu um telefonema, não respondeu a uma mensagem, não disse o que sentia, não disse o que queria de mim, não me deu um carinho. O que vivi porque alguém ligou na altura certa, respondeu a uma mensagem só porque sim, partilhou, exigiu, deu de si. A leviandade com que descuramos os outros porque achamos que um acto quotidiano não interfere, não magoa, não faz falta. E depois pedimos desculpa. Está na moda. O pedir desculpa dá-nos a sensação de poder. Pedi desculpa, logo, sou humilde, assumo os meus actos e portanto, não me podem julgar. E passamos a vida a gerir mal expectativas. À espera. Normalmente à espera do que não vem. E o que nos é estampado na cara passa-nos ao lado. A solução fácil é dar importância a quem a tem. Também é fácil admitir que a práctica destas soluções de bolso transcende o instinto humano. Porque nos permite continuar a agir na base do "desculpa". Descobri que afinal, ainda posso escolher. A culpa não é da sociedade, é minha.
1 comentário:
O teu cirandar, Terezinha, à volta da palavra 'desculpa'tem razão de ser. Com ela julgamos saldar os nossos erros, as nossas ofensas e até, pior do que tudo, a nossa falta de amor. "Desculpa, mas não tive tempo para te telefonar...", "desculpa chegar tão tarde.."desculpa, hoje não posso estar contigo porque..." e por aí fora. Somos estranhos. Todo o ser humano tem qualquer coisa de estranho. Nunca dois seres humanos se conhecerão totalmente. Eu próprio que defendo a 'frontalidade' como 'arma' indispensável numa vida que se pretenda honesta e 'frontal', nem sempre a uso. Todos passamos por mil e uma situações que nos fazem recuar um pouco em relação aos nossos 'princípios'.O ideal seria que toda a humanidade se assemelhasse a nós próprios, que pensasse e reagisse como nós. Igual a nós. Exactamente como nós. Mas como cada um de nós é um universo que não tem nada a ver com o universo que se sentou ao nosso lado...
Continua a escrever minha querida Filha, da maneira como o tens feito: com 'frontalidade', mas acima de tudo, como também o tens feito: com muito Amor.
Superpai
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