
Tenho saudades das coisas boas das quais prescindi por causa das coisas más. Principalmente de me deitar abraçada a quem me permitia não ter que ser sempre tão forte. Ultimamente, não me permito fraquejar. Às vezes assusta-me esta aparente recuperação. Se abdicamos do que nos faz bem para evitar o que nos faz mal em prol de um hipotético bem estar, quanto tempo demora esse tal bem estar a presentear-me? Eventualmente quando deixar de ser hipotético. Ou talvez nunca. Porque pode ser mesmo verdade o que dizem sobre nunca estarmos efectivamente satisfeitos. É verdade que nem sempre me deitei com a segurança dos braços de que falo, enquanto os tive. É verdade que sou hoje mais serena que nunca. Mas não deixo de ter saudades. Das coisas boas. Há sempre questões teimosas. Até que ponto eu podia ter contribuído para um caminho diferente; as férias marcadas pela vontade de um e a impotência de outro; a frustração imensa que é a incapacidade de fazer alguém feliz. Onde é que começa e acaba o egoísmo? Egoísmo é desistir de um “NÓS” em prol do “EU”? Não é egoísmo desistir do “EU” em prol de um “NÓS”? Há um momento certo para desistir? Desistir não é o começo de uma luta nova? Por fins diferentes? Nunca desisti de mim. Isso ainda me faz feliz. Mas tenho saudades. Das coisas boas. Do que não é fugaz. Talvez precise dessas coisas, de maneira diferente. Se assim é, estou no caminho certo.No meu caminho. Não pode ser egoísmo sonhar. Com o melhor. Com o que julgamos melhor. Não interessa. Interessa só o que no fim, nos faz bem. Nos faz deixar de existir para viver. Em bom rigor, gosto de saber que optei pelo que senti ser melhor para mim. Ainda que nem sempre esteja segura disso. Quem é que está? Exercício mental. Canita.
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