4.07.2006

longa metragem


Pensei vezes sem conta. Dei voltas e voltas. Interpretei, julguei, tirei conclusões, agi em conformidade, fiz uma longa metragem. Sem nunca me lembrar de perguntar. Ironicamente, a falta de coragem fez surgir a conversa. E o pouco que falamos fez-me perceber que podia ter perguntado, que devia ter perguntado, que a resposta era de longe melhor que a minha longa metragem. Não por ser a resposta ideal, mas por ser a resposta possível, a verdade. Que por um feliz acaso, foi a resposta ideal. Gosto de falar com quem fala pouco sobre sentimentos. Gosto que quem fala pouco o faça comigo. Hoje ri o dia inteiro. E percebi que gosto do que provoco nos outros. E percebi que posso perguntar. A resposta será sempre boa, se for sincera. Será sempre boa, se não for sincera. Porque aí posso escolher os meus eus. E mais vezes do que pensamos, a resposta é maravilhosa. Mesmo que não altere grandemente o nosso dia-a-dia. Impede-nos de protagonizar longas metragens.

1 comentário:

Anónimo disse...

"Gosto que quem fala pouco o faça comigo. Hoje ri o dia inteiro"

Ora aqui estão duas tiradas que dão pano para mangas! Sobre a primeira não há duas opiniões. Infelizmente o que mais se encontra por aí é gente que se não falar... morre. Bla, bla que nunca mais acaba ou 'conversa da treta' como lhe chama a malta nova. O botar palavra tem que se lhe diga. Todo o indivíduo que quer chamar a atenção dos outros através de uma verborreia sem fim é, não tenhamos dúvidas, um complexado. Existem por aí aos montes. São raras as pessoas que sabem ouvir. A maioria só sabe falar e... mal. Daí que eu esteja perfeitamente de acordo com o 'desabafo'acima:"gosto que quem fala pouco o faça comigo".

"Hoje ri o dia inteiro" - É maravilhoso ouvir isto da boca de quem quer que seja mas sobretudo de quem tem o sentido de humor mais perfeito e inteligente que eu já ouvi na minha vida. Eu diria que quem sabe fazer rir sabe rir como ninguém. E parece que assim acontece.

Alguém 'nos' África