5.20.2006

cavalheirismo

É certo que o cacilheiro não será o local mais propício ao cavalheirismo. Mas também é certo que o cavalheirismo não devia ter lugar nem hora. Há dias fui “violentamente” ultrapassada por um sr. à saída do cacilheiro. Ocorreu-me de imediato que a cortesia está a definhar e em vias de extinsão. Tenho pena. Mas lido bem com a situação. O que me incomoda, é sim, a ligação deselegante que as pessoas parecem insistir em fazer entre a falta de cavalheirismo e a tal igualdade de direitos pela qual nós, mulheres, continuamos a lutar. Ou não. Seja. Parece-me que a igualdade de direitos visa, acima de tudo, oportunidades iguais. Que é obviamente um direito de qualquer ser. O cavalheirismo nunca será um direito inerente a nada nem a ninguém. É uma postura, uma opção, uma questão de atitude. É maioritariamente um aspecto bonito da vida que me parece imperativo preservar. Eu própria, optei por ser fiel ao cavalheirismo, já que não creio seja uma qualidade exclusivamente masculina. É ridículo ouvir os comentários dos srs. que, por uma questão de revolta interior com a vida pobre de espírito que levam, confundem igualdade de direitos com o direito à falta de educação. Dar passagem a um velho, um novo, uma mulher ou um homem, não pode ser visto como a perda de uma batalha. Devia, contrariamente, proporcionar-nos um efeito de leveza. O sentimento que advém da “fuçanguice” é inevitavelmente negativo. A nobreza de reconhecer que não vivemos sozinhos e que o nosso bem estar também depende da maneira como tratamos quem nos rodeia, mesmo que um estranho, deixa-me bem disposta, faz-me sorrir. O cavalheirismo não é um direito para ser disputado. É uma opção. Uma questão de educação, de bom gosto. Portanto, por favor não morras!

4 comentários:

AllBran disse...

O cavalheirismo devia ser uma disciplina ensinada nas escolas de condução. De certeza que o número de chumbos nos exames de código iria crescer exponencialmente. Gostamos do regresso da Té, ainda bem que o “cavalheiro” a cilindrou, assim mereceu um post. :P

Anónimo disse...

A palavra "cavalheirismo" já me disse qualquer coisa, mas isso foi há muito tempo atrás. Nem me recordo já do seu significado. Se a Senhorita Teresa tivesse reagido bem à portuguesa com um "Oh seu filho duma p... então isto são maneiras?" decerto que a besta que a empurrou teria mais cuidado da próxima vez. Ou talvez não. Mas isso pouco importa. O que registei é que a Senhorita Teresa deve ter sido educada numa família onde o cavalheirismo era moeda corrente. Quero acreditar que sim. Ou melhor, quase juraria que sim.
Os meus parabéns pelo texto e um grande beij... perdão, pois se eu nem sequer a conheço!?

Black Moz

Anónimo disse...

No "Mulher Sofre II" o Menino Sol tinha feito uma pergunta a que a Menina Té respondeu. É só para agradecer. Imagino: "Quem será este Menino Sol?" teria perguntado a maravilhosa autora dos textos deste Blog. A quem é que ela sairá?

Black Moz

Unknown disse...

Linda!... Que saudades do teu Blog!!!... E mais... MUITAS SAUDADES TUAS!!!
Mas amiga... perceber essas "nuances" de diferenciação entre direitos iguais e cavalheirismo por opção ou educação é considerares que a moir parte das pessoas tem capacidade para o perceber... E não, amiga não tem!... se calhar não pela inteligência, mas pela educação, ou falta dela...
Escreve mais vezes, sim???
Beijinhos muitos!!!!