Sempre achei que tinha uma costela rasca. Hoje vi-me numa situação em que, por opção, tinha à minha volta cadeiras e mesas sujas, vozes fortemente projectadas nos meus ouvidos, cheiro a alcoól, tabaco e hambúrgueres fritos em gordura queimada. Cartas jogadas das mãos de homens com dedos amarelecidos pela relação de amor doentio que cultivam com o Português Suave sem filtro. Azulejos deprimentes, estores cinzento-fumo, outrora brancos. Música ao estilo dos carrinhos de choque no seu melhor. Os espelhos, que fazem parte de qualquer balcão de tasca que se intitule como tal, mesmo sem que eu perceba porquê, já que não estão ao nível da vista de quem quer que seja, se é que é com essa intenção que alguém entra numa tasca, ver-se ao espelho. O empregado joga às cartas com os Clientes, que não hesita em despejar à hora do fecho. E eles voltam sempre. Depois olho para as pessoas, para a maneira como me tratam... e saio da tasca a pensar que ainda desconheço o significado da palavra "rasca" e que, ainda que igualmente despejada à hora do fecho (de uma forma mais delicada por ser vista como o "alien" do sítio), também eu vou voltar. 13-01-071.14.2007
Ser rasca...
Sempre achei que tinha uma costela rasca. Hoje vi-me numa situação em que, por opção, tinha à minha volta cadeiras e mesas sujas, vozes fortemente projectadas nos meus ouvidos, cheiro a alcoól, tabaco e hambúrgueres fritos em gordura queimada. Cartas jogadas das mãos de homens com dedos amarelecidos pela relação de amor doentio que cultivam com o Português Suave sem filtro. Azulejos deprimentes, estores cinzento-fumo, outrora brancos. Música ao estilo dos carrinhos de choque no seu melhor. Os espelhos, que fazem parte de qualquer balcão de tasca que se intitule como tal, mesmo sem que eu perceba porquê, já que não estão ao nível da vista de quem quer que seja, se é que é com essa intenção que alguém entra numa tasca, ver-se ao espelho. O empregado joga às cartas com os Clientes, que não hesita em despejar à hora do fecho. E eles voltam sempre. Depois olho para as pessoas, para a maneira como me tratam... e saio da tasca a pensar que ainda desconheço o significado da palavra "rasca" e que, ainda que igualmente despejada à hora do fecho (de uma forma mais delicada por ser vista como o "alien" do sítio), também eu vou voltar. 13-01-07
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2 comentários:
A tua sensibilidade nunca te levará a dizer "não volto mais". O teu poema é lindo. Como vês, minha querida, estás "a voltar".
O leão africano
ahahahahhahaha
:D
esse sítio do inferno onde gostas de ir e te sentes bem não tem nada a ver com qualquer lado rasca que possas ter, mas sim com a tua auto-estima, que deve disparar em flecha cada vez que lá entras.
ainda ninguém tinha pensado nisso, acho que acabaste de inventar a terapia da tasca.
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