3.09.2006

Amiguinhas...

Ser amiga é uma condição que devia ter direitos de admissão! Teimamos em banalizar o conceito. As mulheres tornam-se amigas sem qualquer requisito à excepção do "enquanto as coisas correrem bem". "Estou sempre cá para ti enquanto agires como eu gosto", podia perfeitamente ser instituído como máxima feminina. Inevitavelmente, as ditas "amizades" femininas caem por terra quando deixamos de ter o comportamento desejável. Inesperado seria aceitarmo-nos como somos: deliciosamente cabras, humanas, falíveis, charmosas, sensíveis ao que nos convém e ao que é mais forte que nós, egoístas onde, até onde e quando queremos, sedutoras, bem sucedidas desde o dia em que demos ao mundo o prazer de nascer. Tudo isto é perfeitamente aceitável individualmente. Quando uma "amiga" se torna segura de si, qualquer qualidade se transforma rapidamente num pretensioso defeito e num alvo invejável. E parem por favor com o discurso exaustivo de que temos que ser TODAS unidas. TODAS? Desculpem, não tenho tempo... A frontalidade é uma qualidade fantástica que as mulheres deviam impor a si mesmas. Obviamente, a maioria das mulheres consideram-se seres frontais. Adoramos as que se gabam de dizer tudo o que lhes passa pela cabeça. Estaria destruída, se o fizesse. Gosto de ter segredos. De guardar o mais precioso de mim para mim e alguns eleitos... poucos. Louvável seria encararmos a frontalidade como um privilégio que nos cabe dosear. Louvável seria que as costas das nossas amigas não fossem o nosso prato predileto. Que fossemos frontais porque gostamos de nós e delas e não de as achincalhar com a nossa pretensão a donas da verdade, sempre com o intuito de apenas as chamarmos à razão. Louvável seria gostarmos umas das outras a ponto de dizermos "odiei-te pela atitude que tiveste" com um carinho enternecedor de quem pede "não me voltes a fazer o mesmo, por favor, porque te adoro e quero-te na minha vida". E quando somos amigas, somos as costas preferidas das que não souberam ser amigas porque se encheram de orgulho e prescindiram de nós. Prescindiram delas. São frontais... nas minhas costas. Contra isso, continuo a adora-las como no dia em que decidi ser amiga. Tenho o melhor de quem me valoriza, tenho o melhor de quem valorizo, tenho o melhor de mim e das minhas amigas. Poucas, deliciosamente cabras, maravilhosas! Minhas. Amigas.

2 comentários:

Anónimo disse...

Uma prosa deste quilate e desta classe sobre um tema por vezes tão difícil de abordar - a amizade - só poderia ter origem em alguém com uma sensibilidade fora do vulgar. Para além da invulgar sensibilidade, a autora do texto demonstra também um raro conhecimento da vida e das pessoas. Não admira. Ela é bem a Filha do seu Pai. Beijoca para a Mailinda do seu Superpapá.

Anónimo disse...

"cannes babes", (termo utilizado somente por uma verdadeira amiga!) voltaste a escrever! boa, fico feliz, não só por saber que afinal não deixaste adormecer o teu blog, como o dom que tens para a escrita possa ser partilhado por todos!
Parabéns para esta Senhora que fez anos no dia 14 de Março (Dia Nacional da Poesia e Dia do Vendedor de Livros)! LUV U
bj ;)